O desejo de Saramago

Os alunos do 1.º Ciclo e as professoras do Externato Pinguim, em Chaves, vão cumprir, hoje, um desejo de José Saramago. Assumindo que não sabia escrever histórias para crianças, nas últimas páginas do seu único livro infantil, “A maior flor do mundo”, o escritor, recentemente falecido, deixou perceber que gostaria que outros contassem, “de outra maneira”, a história que ali narrara. Com “palavras mais simples”.

Foto: Margarida Luzio/JN

“Quem sabe se um dia virei a ler esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?”, interrogou-se, no fim do livro, o autor. Foi por pouco que não leu. “A maior flor do mundo II” vai ser apresentada logo à tarde, mas um dia antes da morte do escritor o externato recebeu autorização da Fundação José Saramago para publicar no blogue do escritor o trabalho. “Quando souberam [da morte do escritor] houve meninos que até choraram”, recorda a professora Maria do Céu Castro.

Mas porque quem conta um conto acrescenta um ponto, a história dos meninos do Pinguim não é bem a de Saramago: nem por outras palavras, nem mais simples. É uma continuação da história.

O menino de Saramago ganhou nome, saiu da aldeia, ganhou uma bolsa, foi estudar para Inglaterra e transformou a colina onde salvara uma flor num jardim: “O Mundo das Flores”. “Eles é que davam as ideias, mas nós fomos sempre orientando para o campo do ambiente e da ecologia”, explica Maria do Céu, lembrando que a ideia surgiu no âmbito de uma formação do Programa Nacional de Ensino do Português. Saramago surgiu por sugestão da formadora. “Quando li aquele livro fiquei fascinada e pensei logo: tenho que propor isto aos meus formandos”, conta Maria Dulce.

E os co-autores da obra, os pequenos alunos, de que história gostam mais, da “Maior flor do mundo”, de Saramago, ou da “A maior Flor do mundo II”? “Da maior flor do mundo doissssssss!”, grita, em uníssono, um grupo de alunos. “Mas sem a um não havia a dois!”, ralha a professora. Inês, Luana, Diogo… anuem. Forçados.

Fonte: jn.pt

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